sexta-feira, 27 de março de 2009

Educar para o mundo via extensão universitária (a USP no Canindé, São Paulo)

Os estudantes do Instituto de Relações Internacionais da USP, com o apoio da Associação Nacional de Direitos Humanos Pós-graduação e Pesquisa (ANDHEP) deram, ontem, o pontapé inicial de um projeto de cultura e extensão voltado à comunidade do Canindé, em São Paulo. A idéia é incorporar à tradição extensionista da educação para os direitos humanos o manuseio de questões transversais, presentes tanto cenário internacional como na periferia das grandes cidades, tais como a migração, a crise financeira, as mudanças climáticas, a violência sob todas as suas formas, a atuação das Organizações Não-Governamentais, a captação de financiamento internacional, entre muitas outras.

Será desenvolvido, na comunidade alvo, um trabalho de educação popular, inspirado nos conceitos pedagógicos da autonomia, que estimule nos atores universitários e comunitários (alunos, professores, funcionários e pais da escola-alvo) o senso crítico, a politização e a organização, além da diluição do provincianismo. Escolheu-se, em princípio, a Escola Municipal Infante Dom Henrique como elemento aglutinador para a consecução do projeto, considerando o quadro geral de hipossuficiência do público-alvo, no qual se destaca o impacto do fator migratório, eis que grande parte dos alunos é boliviana ou descendente de bolivianos. Foi decisivo, ainda, para a escolha da comunidade, o teor das demandas apresentadas pela escola, tais como a formação docente para debate de temas internacionais, a organização de atividades culturais, a concepção de iniciativas para gestão da alteridade, além do combate à violência derivada da xenofobia.

Veja a primeira versão do projeto em http://iri-educar-para-o-mundo.googlegroups.com/web/IRI%20Educar%20para%20o%20mundo.pdf?gda=x1y_K1AAAABEV6M7FuYdDdd2g0yicozo8981RgJdV3MCjFryTOFENPu2hn8vGZaV09I7Lp7R69GVj4uQk8pSbv-ZPbNsE1VuyfKqicRl9fiUtu6lcZljTA&hl=pt-BR&gsc=k1XJqwsAAAD8hUehZ5NRttWz1e6sDP5Y

quinta-feira, 19 de março de 2009

Workshop "Educar para o Mundo" - Porto Alegre, 29 de abril

Sob a coordenação do Professor Fabio Morosini (http://lattes.cnpq.br/3545195769262482) ocorrerá, em Porto Alegre (RS), no dia 29 de abril próximo, na Faculdade de Direito da UFRGS, um workshop que reproduzirá, de modo mais profundo, os trabalhos da nossa Oficina Educar para o mundo da ABEDI no Rio de Janeiro.

Durante todo o dia, serão realizados painéis restritos aos participantes inscritos, tanto sobre a metodologia do ensino do direito internacional como sobre conteúdos de um internacionalismo de vanguarda, debatendo os textos de referência veiculados neste blog. Haverá uma palestra de encerramento à noite, aberta ao público.

A intenção de Morosini é a de reunir os professores de direito internacional do Rio Grande do Sul, além de mestrandos, doutorandos e pesquisadores dedicados ao tema, para conhecimento mútuo e intercâmbio de experiências, construindo paulatinamente uma articulação regional da área.

Interessados podem fazer contato pelo email educarparaomundo@gmail.com

segunda-feira, 16 de março de 2009

"O futuro do direito internacional é doméstico", de Anne-Marie Slaughter - segundo texto para discussão

O segundo artigo que apresentamos para discussão neste blog é da autora citada pelo Tarciso Dal Maso no comentário do post abaixo, Anne-Marie Slaughter, de Princeton. Enquanto o texto de Simpson, o primeiro que lançamos ao debate, aborda o ensino do direito internacional, Slaughter concentra-se na dissolução da dicotomia externo/interno.

Confira e opine:
The Future of International Law is Domestic, with William Burke-White, in NEW PERSPECTIVES ON THE DIVIDE BETWEEN INTERNATIONAL AND NATIONAL LAW (Andre Nolkaemper and Janne Nijman, eds.) (2007).

sábado, 14 de março de 2009

Quais são suas principais dificuldades ao ensinar e/ou aprender direito internacional?

No espaço dos comentários deste post, gostaríamos de ouvi-los (ou melhor, lê-los) sobre os principais problemas que enfrentam ao ensinar e estudar direito internacional. Sua participação é fundamental para que nossa oficina seja realmente útil.

Vamos conversar? Para "animar" nosso intercâmbio, confiram http://www.youtube.com/watch?v=rjtkus067KU

A discussão se abre com o comentário de Tarciso Dal Maso, atualmente em Nanterre (Paris X), professor do CEUB (Brasília) e Consultor do Senado Federal.

"Na montanha mágica: ensinando DIP", de Gerry Simpson - Primeiro texto para discussão

Na bibliografia obrigatória para a Oficina, aprovada pela Comissão Científica do Encontro ABEDI-Rio 2009, encontra-se o texto do Prof. Gerry Simpson sobre o ensino do Direito Internacional.

Abstract: "In this essay, the author identifies a malaise in the teaching of international law resulting from a fear of being consigned to the academic peripheries. This fear arises from a sense that international lawyers are deemed not sufficiently like 'real' lawyers by some of our colleagues in the law schools and not savvy enough about global realities according to some international relations scholars. The response to theses fears sometimes involves a series of compromises with 'legalism' and 'realism'. The consequences of these compromises include theoretical incoherence and a depoliticization of the subject matter. These theoretical failures drive teachers towards a mode that the author calls 'romantic'. The romantic mode is alluring but superficial and ultimately threatens to further empty international law of political content. The author suggests three possible solutions of these problem".

Veja a íntegra do texto em:
http://grupo-de-estudos-delmas-marty.googlegroups.com/web/SIMPSON%2C_Gerry._On_the_Magic_Mountain_-_Teaching_Public_International_Law..pdf?hl=pt-BR&gsc=1CGRjAsAAACHziQQcFWKNQ-urYjn5I8l


SIMPSON, Gerry. On the Magic Mountain: Teaching Public International Law. In: European Journal of International Law, 10, 1999. p. 70-92.

Proposta de Metodologia da Oficina

Os temas seriam abordados sob a forma de problemas.

A discussão entre os participantes da oficina teria como base a descrição de situações-problema ou a narração de experiências, devidamente problematizadas, que demandem pesquisa e aprofundamento.

A condução seria feita pelos Responsáveis, privilegiando o debate horizontal entre os participantes.

O material de base a ser lido deverá ser enviado a este blog, para que as descrições possam ser evitadas e o tempo do encontro presencial seja integralmente destinado ao debate.

Os participantes debateriam sobre as diferentes possibilidades de abordar os problemas propostos e deverão elaborar uma proposta de plano de trabalho ou de pesquisa, visando à apresentação dos resultados no Congresso Nacional da ABEDi em 2010.

Problemática da Oficina

1) Como despertar o interesse dos estudantes para o estudo do Direito Internacional sem o recurso a teorias parciais como o legalismo, o realismo e o romantismo? Discussão de critérios para:
  • seleção de casos,
  • problematização de temas,
  • definição de objetivos pedagógicos,
  • elaboração de enfoques transdisciplinares,
  • metodologia das atividades didáticas, e
  • avaliação de resultados.
2) O estudo de caso, ao abordar de maneira atual e contextualizada tópicos da disciplina, pode ser uma forma eficiente de refletir a complexidade do Direito Internacional?

3) De que modo essa mudança de perspectiva pode contribuir para a formação de profissionais aptos para uma atuação competente e qualificada nos espaços de construção e aplicação do Direito Internacional?

Objetivos da Oficina

a) Trazer à discussão as dificuldades no ensino da disciplina decorrentes das especificidades do Direito Internacional em relação ao direito estatal;

b) Trabalhar a tangibilidade e a permeabilidade do Direito Internacional no direito interno por meio do compartilhamento de situações-exemplo que ilustrem o caráter transversal da realidade;

c) Refletir criticamente sobre as experiências relatadas, em busca de um marco teórico transdisciplinar que dê sustentação e densidade acadêmica às atividades empreendidas;

d) Traçar o perfil do ensino do Direito Internacional no Brasil por meio da análise dos currículos, planos de ensino e docentes responsáveis pela disciplina, tendo em conta as diversas vertentes teóricas do Direito Internacional existentes;

e) Elaborar, ao final da oficina, um projeto de reforma do ensino do Direito Internacional no Brasil, que propugne um internacionalismo progressista condizente com as demandas brasileiras e latino-americanas na esfera internacional, para inclusão de um painel na programação do Encontro da ABEDI de 2010.